O anúncio da compra pelo BRB (Banco de Brasília) do Banco Master, em um negócio que envolve cerca de R$ 2 bilhões, foi celebrado pelo governador do DF, Ibaneis Rocha.
O governador destacou que o BRB, agora, se consolida como uma das 10 maiores instituições financeiras do país e que os dividendos vão ajudar o desenvolvimento do Distrito Federal.
Mas a saúde financeira do banco Master preocupa especialistas do mercado, que têm dúvidas se isso é ou não é um bom negócio para o BRB.
Boa parte do patrimônio que garantia a solidez do banco Master era composto por precatórios, que são títulos de disputas judiciais contra governos e que têm um recebimento incerto. No balanço, eram tratados como títulos públicos, mais seguros.
O banco Master multiplicou por 10 o patrimônio e por 5 a carteira de crédito desde 2021. O problema de todo esse crescimento é que ele dependeu da emissão de certificados de depósito bancário (CDBs), que pagam ao investidor taxas muito acima dos bancos concorrentes, com até 140% do CDI. Quanto maior o retorno, maior o risco.
Agora, a operação só vai ser fechada depois que diversas condições forem cumpridas e entre elas há ainda um pente fino nos ativos e passivos do banco Master.
A efetivação do negócio também vai depender da aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, e tudo isso pode levar cerca de um ano.
A oposição na Câmara Legislativa está preocupada com a saúde financeira do próprio BRB, já que o Banco de Brasília hoje é responsável por diversos serviços, como a emissão dos cartões dos programas sociais para famílias de baixa renda e da bilhetagem do transporte coletivo.